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domingo, 15 de abril de 2012

Sem cérebro. Sem coração também?

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Por 8 votos a 2 o STF aprovou hoje o aborto no caso dos bebês anencéfalos. Brilhante e corajosa a defesa do voto "contra" realizada pelo presidente do Supremo, Ministro Cezar Peluso. Este esclareceu, entre inúmeros pontos ignorados por seus pares, que há grande número de ocorrências de "merencéfalos", bebês sem "parte" do cérebro mas "com encéfalo". E por inúmeros outros brilhantes motivos, especialmente os jurídicos, o aborto constitui, sim, crime contra a pessoa que, "se morre, pressupõe-se estar viva". Foi isso o que aprovou o Supremo: a legalização do crime. 

Mas não sou jurista e quero comtentar-me com questão que cabe à minha área, já que fui recriminado no Twitter por um estagiário de direito, este sim merencéfalo, por imaginar que uma decisão dessas carece somente de "argumentos racionais e jurídicos". Escreveu ele que não posso tomar base emocional para uma decisão jurídica como essas, pois que disse a ele da emoção de ouvir no exame de ultrassom o coraçãozinho de um feto batendo três ou quatro vezes mais rápido que o coração de um adulto. Ele não tem filho, nao teve esse prazer.

E o mote do Ministro Marco Aurélio de Mello fói o mesmo, que advogou ser somente os sinais elétricos do cérebro indicadores da possibilidade de vida, esta com as especificidades que, segundo a Lei, conferem possibilidade ou justificativa ou oportunidade de viver ao feto. Definitivamente NÃO.

Será que toda decisão jurídica deve ser fundamentada somente sobre bases racionais? Creio que nem na faculdade de Direito mais chinfrim isso deve ser ensinado. E quem se diz "cristão", penso, deveria considerar a Bíblia em todos os seus processos de formação de opinião. É inadmissível um cristão que descarte a Bíblia, em quaisquer decisões que precise tomar. Parece ser o caso do estagiário.

Ao ponto. A mais famosa decisão jurídica em favor de uma criança está lá, na Bíblia, em 1Reis 3.16-28. É a famosa passagem da mãe que perdeu seu bebê durante a noite e roubou o bebê da amiga. Esta, reclamando ao Rei Salomão, ouviu dele: "'Tragam-me uma espada'. Trouxeram-lhe. 'Cortem a criança viva ao meio e deem metade a uma e metade à outra'." O resultado óbvio foi: "A mãe do filho que estava vivo, movida pela compaixão materna, clamou: 'Por favor, meu senhor, dê a criança viva a ela. Não a mate!'." (v. 26). Que parece essa decisão? A palavra da mãe, penso, deve ser ouvida, não? As razões da outra mãe, a que matara involuntariamente o seu filho, abandonou a ideia de permanecer com um filho que não era seu e anuiu à divisão do bebê em duas partes.O juiz Salomão (lembremos que o judiciário era atribuição dos reis à época) deu voto de minerva justamente à voz da emoção, não da razão. 

A história mostra que legislar exclusivamente em função da razão cria monstros perturbadores. Sabemos que Hitler e sua raça ariana eram, ao menos em parte, frutos das reflexões de Nietzche que já havia proclamado que Deus era carta fora do baralho quando escreveu: "Nós matamos Deus" (eu conheço o contexto da citação).

Uma sociedade que pensa mas não sente está igualmente condenada à morte, à eugenia social. Pessoas são seres complexos e constituídos de razão e emoção, mente e alma, cérebro e coração. O apóstolo Paulo diz que devemos ter a mente de Cristo, que precisamos cultuar racionalmente, mas ele mesmo escreveu 1Corintios 13, o clássico capítulo do amor. Desconheço quem ama racionalmente, com o cérebro. As emoções estão lá e outro ministro, Ayres Brito, falou em "amor inclusive ao bebê" quando defendeu o aborto. A mãe, da passagem de Salomão amou "movida pela compaixão materna". A versão Corrigida da Bíblia diz que "suas entranhas se lhe enterneceram por seu filho". Lá estavam as emoções defendendo a vida, enquanto a razão da falsa mãe dizia: "Corte, a criança ao meio" (v. 26, NVI).

No passado, os escritos de diferentes tribos remetiam os sentimentos vitais mais profundos a alguns órgãos do corpo humano. Rins, intestinos, ventre e principalmente coração. Os próprios judeus usavam coração e rins em seus textos, além de "entranhas". A parte vital, que determinava até mesmo a morte pelo afastamento de Deus, segundo esse entendimento, nunca foi o cérebro, nem parte dele.

É, senhores Ministros. O dito popular declara que homens maus, como pedófilos, estupradores e assassinos, e mesmo políticos que roubam verbas que deveriam ir para a saúde, educação e saneamento básicos, são pessoas "sem coração". Poderíamos colocar em votação a legalização da morte nesses casos também?

Texto de autoria de Magno Paganelli, extraído do blog:

domingo, 11 de março de 2012

Dicas para domar a língua

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John Wesley (1703-1791) e Charles Simeon (1759-1836) foram ministros da igreja da Inglaterra e líderes do grande reavivamento do século XVIII, conhecido nos Estados Unidos como o primeiro Grande Avivamento. Wesley foi um pregador e evangelista influente, um dos pioneiros do reavivamento, bem conhecido dos dois lados do Atlântico juntamente com seu irmão Charles e seu amigo George Whitefield. Foi ainda fundador da Igreja Metodista. Charles Simeon, no entanto, viveu principalmente em Cambridge, na Inglaterra, e foi líder durante o segundo estágio do reavivamento. Contudo, por causa de seu ministério longo e bastante influente na Igreja Great St. Mary (por mais de cinqüenta anos), também influenciou, grandemente, várias gerações de líderes.

Tanto Wesley como Simeon preocupavam-se profundamente com as implicações práticas da fé, especialmente em como os cristãos deveriam vivê-la na vida real. As passagens seguintes mostram a determinação desses homens em dar um curto-circuito no poder do filho bastardo da inveja - a maledicência. Seus pontos de vista merecem ser ponderados hoje em uma sociedade em que a inveja desenfreada possui centenas de formas diferentes.

Regras para compromissos corporativos:
1.Nós que subscrevemos as regras abaixo concordamos que:
2. Não daremos ouvido nem inquiriremos voluntariamente sobre qualquer maledicência concernente a um de nós.
3. Se escutarmos algo maléfico com respeito a algum de nós, não acreditaremos de imediato.
4. Comunicaremos o que ouvimos o mais breve possível, falando ou escrevendo à pessoa em referência.
5. Não escreveremos nem diremos uma sílaba sequer daquilo que nos foi dito a qualquer pessoa, seja quem for, antes do pleno esclarecimento do assunto.
6. Depois disso, não mencionaremos o que for comentado a qualquer outra pessoa.
7. Não abriremos nenhuma exceção a qualquer uma dessas Regras, a não ser que, em conjunto, acreditemos que somos absolutamente obrigados a fazê-lo. John Wesley, 1752.
 
Como lidar com a maledicência. Quanto mais eu vivo, mais sinto a importância de aderir às regras que formulei para mim mesmo em relação a tais assuntos.
1. Ouvir a menor quantidade possível de coisas prejudiciais aos outros.
2. Não acreditar em nenhuma delas, até que seja absolutamente forçado.
3. Nunca absorver o espírito daquele que fala mal de outros e circula essas notícias.
4. Sempre moderar, no que for possível, a crueldade expressa contra outros.
5. Sempre acreditar que se o outro lado fosse ouvido, o assunto seria relatado de maneira bastante diferente.

Considero o amor uma riqueza, e da mesma maneira que resistiria a um homem que viesse para roubar minha casa, também o faria com o homem que enfraquece meu respeito por qualquer ser humano... acho que as pessoas religiosas estão muito pouco atentas a essas considerações, e que a frase: "Aquele que se aparta do mal se torna vítima", não é verídica apenas em relação ao mundo ateu; mas também no que se refere aos crentes professos, entre os quais há uma triste tendência de escutar maus boatos e acreditar neles sem primeiro dar à pessoa injuriada qualquer oportunidade de explicar seu ponto de vista e defender seu caráter. Quanto mais notável for o caráter da pessoa, mais provável é seu sofrimento nesse sentido, pois a não ser que seja grandemente dominado pela graça, há no coração de todo ser humano um prazer enorme em ouvir qualquer coisa que possa reduzir os outros ao seu nível ou rebaixá-lo diante da estima do mundo. Quanto mais os outros são desvalorizados, mais nos sentimos elevados.

Nessas circunstâncias encontro consolo nas seguintes reflexões:
1. Meu inimigo, qualquer que seja o mal que me tenha feito, não me reduzirá a um nível tão baixo quanto o faria se soubesse tudo o que Deus sabe a meu respeito.
2. Ao fazer um balanço entre o débito e o crédito percebo que, mesmo se fosse roubado em um centavo, há muitos valores creditados em minha conta que não sou digno de receber.
3. Se cada homem tem o seu grande dia, Deus também terá o seu. Charles Simeon, de Hugh Evan Hopkins, Charles Simeon of Cambridge (Holder and Stoughton), pp. 134-135.

Texto e citações extraídos de "Os 7 pecados capitais" de Os Guiness, publicado por Shedd Publicações, p.83-85.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Quando a exegese e a pregação trabalham juntos

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Todo pregador da Bíblia deve se aprofundar cada vez mais no estudo da Bíblia. Todo estudioso da Bíblia, deve aprimorar-se em proclamar eficazmente a mensagem divina.

Atualmente existe uma discrepância entre pregação e profundidade no estudo. Parece que cada vez mais os que são considerados bons comunicadores se distanciam da teologia bíblica saudável. Da mesma forma, os que possuem qualidade na profundidade das Escrituras carecem de uma boa comunicação para tornar suas mensagens atrativas e entendidas ao povo de Deus. Como podemos chegar num equilíbrio saudável entre profundidade e clareza na exposição?

O pregador ou expositor da Bíblia deve possuir uma biblioteca básica para seus estudos e preparo de suas mensagens. Naturalmente, isso leva tempo. É importante que o pregador se prepare, o melhor que puder, para adquirir comentários bíblicos, livros de introdução bíblica e outras modalidades para cada vez mais mergulhar dentro do texto bíblico e crescer no ministério da Palavra. 

Entre os livros de referência na biblioteca de um ministro de Deus é importante dar atenção aos comentários. Os comentários bíblicos não são a verdade. São opiniões e pontos de vistas sobre ela. Você deve ler os comentaristas como amigos que conversam após um jogo de futebol para comentar a partida. Tem coisas que você concorda, outras não. Na maioria das vezes, é melhor consultar um comentário depois que já tenha uma opinião mais ou menos formada sobre um texto ou livro bíblico. 

Os comentários que mais se destacam são as séries: Hermeneia, Anchor Bible e International Critical Commentay (ICC). Estas séries são muito caras e, sem dúvida, seriam um grande presente para um pastor-pregador. Atualmente, a maioria das grandes séries, como estas que citei, já existem em versões digitais e em cd-rom para serem usadas num laptop ou tablet. Em português, sugiro: comentário bíblico vida nova, comentário NVI, São Jerônimo, série cultura bíblica, ABU, Loyola e comentário bíblico latino-americano. Também temos alguns comentários de autores publicados em avulsos, não como uma série, por editoras que zelam pelo estudo da Palavra e valorizam o trabalho deste ou daquele intérprete. Ainda temos alguns comentários homiléticos, frutos de pregações expositivas de grandes intérpretes e pastores: Martin Lloyd Jones, Waren Wiersbe, Hernande Dias Lopes, João Calvino, John Stott.

Para ser um bom exegeta, ou seja, um bom estudioso e intérprete das Escrituras é importante ler livros, artigos e mensagens de bons exegetas. Você se torna bom aprendendo com quem é bom também.  

Um bom pregador deve também aprender com um bom pregador; deve ouvir bons pregadores e ler sermões de quem é admirado nesta área. Pessoalmente, acredito que devemos unir as duas coisas. Pois, a exegese está a serviço da pregação. Lendo bons exegetas e estudando bons sermões você vai aperfeiçoar seu olhar "clínico" na arte de expor a Bíblia com profundidade de conteúdo e clareza de comunicação. 


Lendo bons exegetas você aperfeiçoa seu "bisturi" de interpretação bíblica para descobrir as verdades eternas. Lendo e ouvindo bons sermões você aprimora suas afeições e práticas homiléticas para proclamar as bênçãos celestiais. 

Mesmo assim, ao escolher seus modelos, tenha cautela. Cautela com os exegetas. Nem todos os melhores exegetas são especialistas na Bíblia toda. É bom escolher entre um ou dois que tenham especialidades exegéticas diferentes. É bom conhecer um ou dois bons teológos de Antigo e outros de Novo Testamento. 

Quero sugerir alguns bons exegetas e teológos. Primeiro, do Antigo Testamento. Teológos: Gehrard Von Rad, Walter Brueggemann e Claus Westermann. Exegetas: William Holladay, John Bright e Erhard Gerstenberger. Mas poderíamos citar um exímio exegeta para cada livro da Bíblia. Segundo, do Novo Testamento. Teólogos: Joachim Jeremias, James Dunn e George Ladd. Exegetas: Gerd Theissen, Donald Carson e Ernst Käsemann. Vale a pena vez ou outra mergulhar no pensamento de um estudioso cristão da Bíblia e conhecer todas as suas obras e modo de pensar, como Russel Shedd, Eugene Peterson, William Barclay.

Igualmente, tenha cautela com os pregadores. Pois, nem todo pregador eloquente tem os melhores sermões escritos. Conhecemos pregadores aptos na comunicação, mas reprováveis na teologia e conteúdo. Também temos pregadores profundos e teologicamente saudáveis que nem sempre tornam claro a mensagem viva do Evangelho de Cristo. 

Alguns excelentes teólogos são enfadonhos em suas preleções. Alguns pregadores poderosamente eloquentes são superficiais em teologia, ilustrações e aplicações. Quisera Deus que todos sejamos eloquentes e veracíveis na exposição; profundos, mas sem perder a simplicidade; claros, mas sem entrar na onda dos comunicadores das modas "gospels". 

A verdade divina deve ser proclamada e ensinada com veracidade, sabedoria, paixão e autenticidade da parte do pregador. Portanto, esteja atento: nem sempre o melhor sermão vem do pregador mais eloquente ou que atraí as multidões. E, também, procure se identificar com um pregador do século 19, 20 e 21 para aperfeiçoar a arte de expor as Escrituras e entregar a mensagem divina. Perceba como estes pregadores estudam as Escrituras, dividem o tempo entre outras tarefas do ministério, desenvolvem teologia viva para o povo de Deus, etc.


Saiba escolher seus referenciais: do eloquente ao enfadonho, do superficial, ao profundo, do simplista ao detalhista, do sábio ao conhecedor, do fundamentalista ao liberal, do pastoralista ao acadêmico, do apaixonado ao perspicaz, do conciso ao prolixo. Faça como um bolo: pegue um ingrediente de cada e depois misture tudo e faça um bolo, isto é, encontre um equilibrio entre o bom e o ruim de cada referencial escolhido e seu próprio jeito de ser. Descubra seu próprio modo de ler e interpretar as Escrituras e, depois, expor a Palavra de Deus para a glória do Senhor. 

É muito importante você separar tempo para estudar a Bíblia e o trabalho destes autores, sem falar do tempo que você deve separar para produzir seus materiais. Se não me engano, John Stott dizia que temos de separar uma hora por dia para tal tarefa intelectual; uma manhã por semana de estudos sem interrupções; um dia todo por mês para um estudo meticuloso da Bíblia; uma semana inteira para estudos ao ano. Eu acrescentaria, um ano todo de estudos e oração na presença de Deus a cada sete anos ou quatorze anos, dependendo da sua possibilidade pessoal. 

Como pregador seja um disciplinado estudioso da Bíblia; como exegeta e estudioso, não dispense o aprendizado que vem da oração, da comunhão com os santos e do serviço abnegado em nome de Jesus. Mas em ambos, nunca deixe de aplicar as verdades eternas em sua própria vida e, ao se envolver com as pessoas e aplicar-se em seu ministério, em apresentar-lhes com fidelidade a Palavra de Deus.


sábado, 24 de dezembro de 2011

Leia a Bíblia contra você!

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Sempre una a auto-reflexão com a leitura e o ouvir da Palavra de Deus. Quando você ler a Bíblia ou ouvir sermões, reflita e compare os seus caminhos com o que você leu ou ouviu. Pondere que harmonia ou desarmonia existe entre a Palavra e os seus caminhos. A Bíblia testifica contra todo tipo de pecado e tem direções para qualquer responsabilidade espiritual, como escreveu Paulo: "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" (2Tm 3.16,17; ênfase acrescentada). Portanto, quando ler os mandamentos dados por Cristo e seus apóstolos, pergunte-se: Vivo de acordo com essas regras? Ou vivo de maneira contrária a elas?

Quando ler histórias da Bíblia sobre os pecados e sobre os culpados, faça uma auto-reflexão enquanto avança na leitura. Pergunte a si mesmo se é culpado de pecados semelhantes. Quando ler como Deus reprovou o pecado de outros e executou julgamentos por seus pecados, questione se você merece punição semelhante. Quando ler os exemplos de Cristo e dos santos, questione se você vive de maneira contrária aos seus exemplos. Quando ler sobre como Deus louvou e recompensou seu povo pelas suas virtudes e boas obras, pergunte se você merece a mesma bênção. Faça uso da Palavra como um espelho pelo qual você examina cuidadosamente a si mesmo — e seja um praticante da palavra (Tg 1.23-25).

Poucos são aqueles que fazem como deveriam! Enquanto o ministro testifica contra o pecado, a maioria está ocupada pensando em como os outros falham em estar à altura. Podem ouvir centenas de coisas em sermões que se aplicam adequadamente a eles; mas nunca pensam que o que pregador está falando lhes diz respeito. A mente deles está fixa em outras pessoas para quem a mensagem parece se encaixar, mas eles nunca julgam necessitar dessa pregação.

Por Jonathan Edwards, via:

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Bíblia: para ler e compreender

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A Bíblia ou Escrituras Sagradas apresentam a revelação de Deus. Nestes livros, Deus se mostra como quer ser conhecido. A Bíblia nos transmite as palavras que Deus quis que chegassem a nós e o padrão de pensamento e prática que devem acompanhar a vida dos seguidores de Jesus Cristo.

A Bíblia é a fonte de toda nossa teologia e orientação espiritual; nos mostra quem é Deus e suas maneiras de agir; mostra a mais sublime concepção de Deus, um Deus Trindade, tal como ele quis ser revelado; revela-o como sendo pessoal, voltado para relacionamentos, dando a si mesmo através de sua palavra encarnada: Jesus (Jo 1.1,2,14).

A Bíblia é a palavra de Deus e nos impede de pensar e viver de um jeito qualquer. Ela é um livro no qual nos relacionamos com Deus diariamente. Por conseguinte, através da leitura, reflexão, entendimento e obediência à palavra sagrada nos relacionamos com o Senhor e nos ajustamos aos seus padrões.

O conteúdo da Bíblia não é uma tentativa de definir Deus, tão pouco a vida espiritual, mas é um testemunho registrado da revelação de Deus por meio de seus servos, profetas e apóstolos através do sopro do Espírito neles.

“Escreveram segundo a intenção total do coração, segundo a consciência que os movia no exercício normal de sua tarefa, com seus estilos literários e seus vocabulários individuais. As personalidades dos profetas não foram violentadas por uma intrusão sobrenatural. A Bíblia que eles produziram é a Palavra de Deus, mas também é a palavra do homem. Deus usou personalidades humanas para comunicar proposições divinas” (Norman Geisler e William Nix, Introdução Bíblica, Ed. Vida).

A Bíblia torna precisa nossa tentativa de conhecer a Deus e sua vontade. Não permite que reduzamos Deus conforme nossas possibilidades intelectuais ou extáticas. As Escrituras nos impelem a conhecermos as possibilidades de Deus, alem das nossas próprias.

No entanto, ler a Bíblia requer-se singela vigilância. Vigilância continua e cuidadosa contra a preguiça e o excesso; vigilância contra as leituras banalizadoras; contra a leitura por pretexto (aquela que interpreta a Palavra de acordo com o desejo do leitor).

A leitura saudável possibilita que o texto coloque em nossa mente o sentido que o Espírito Santo tencionou. Vigilância contra a leitura acadêmica sem qualquer aplicação ou relevância na vida espiritual das pessoas. Vigilância para não tornar a leitura das Escrituras um objeto que despersonaliza seu propósito de relacionamento com Deus, tornando-a um amuleto. Vigilância para ler a Bíblia com diligencia mental e devoção espiritual a fim de relacionar-se com a Trindade (Deus como é).

Por isso, percebe-se na atualidade que um dos aspectos mais negligenciados quando se fala sobre as Escrituras é sua leitura, entendimento e aplicação. Precisamos ler e compreender. Compreender e viver o que elas revelam. Devemos colocar a “leitura bíblica à vida e vida à leitura”. Ler a Bíblia deve nos levar a vivê-la, permitindo que ela dite as regras, participe das nossas emoções, forme nosso caráter e nos dê o privilegio de conhecer o Senhor. As palavras da Bíblia têm poder de produzir transformação interior e intimidade com o Pai.

O objetivo de Deus em registrar sua revelação sempre foi o de  que suas palavras entrem em nós. Quando você abrir a Bíblia almeje ser moldado por ela. Quando você ler a Bíblia, permita ser orientado pelo desejo de conhecer a Deus e incluí-lo em sua vida. Aplique sua mente com disciplina, para dissecar as verdades espirituais reveladas; e aplique seu coração em devoção ao estudar as Escrituras, pronto para obedecer e servir a Deus.

http://ww2.pibcuritiba.org.br/conteudo/item/6118-dia-da-biblia

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Bíblia: alimento espiritual nutritivo para o cristão

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 Os profetas Jeremias, Ezequiel e João nos ensinaram como deve ser nossa postura para com as Escrituras: devemos comê-la. “E fui ao anjo, dizendo-lhe: Dá-me o livrinho. E ele disse-me: Toma-o, e come-o, e ele fará amargo o teu ventre, mas na tua boca será doce como mel” (Apocalipse 10:9; Consulte também: Jeremias 15.16 e Ezequiel 3.3). Comer a Bíblia é mais do que tomar notas de um sermão, é ingerir a palavra em nosso viver. A metáfora bíblica para o relacionamento com Deus se parece mais um banquete nutritivo junto com os amigos do que sentar-se a uma biblioteca fria e empoeirada.


A metáfora bíblica de comer as revelações e mistérios divinos nos exorta continuamente: coma a Palavra, se alimente dela, deguste suas palavras, digira os seus textos; mas, não confunda o tipo de alimentação nutritiva, bem realizada, experimentada sem pressa e saboreada em detalhes com o tipo de alimentação que a atualidade tem imputado a nós, que é a alimentação fast-food.


Os fast-foods têm tirado de nós a experiência de mastigar com prazer e engolir sem pressa o que nos é oferecido; fez da prática e hábito de leitura-alimentação bíblica irrelevante para a vida de alguns, que não permitem ter suas vidas transformadas por Deus. A leitura bíblica apressada, casual e irreverente não gera fortalecimento espiritual, pois não é metabolizada no espírito, tornando-se parte de seu viver. 


A leitura-alimentação espiritual fast-food não instiga a mente a pensar em Deus, nem a uma experiência de obediência ao Senhor. Ela pode ser rapidamente ingerida, mas não permanece em nós; faz os paradoxos “barriga cheia, mas ainda com fome” e “aparentemente bem nutrido, mas com anemia no sangue”.  

Nossa alimentação espiritual quando realizada como um processo, com calma, com prazer, com degustação profunda, diária, reverente e espiritual nos leva a um relacionamento intenso com Deus, ao conhecimento de seu caráter e sua vontade a cada dia mais e mais.


Leia sua Bíblia, se preciso ir à biblioteca para concentrar-se em estudá-la meticulosamente, faça! Mas principalmente coma a palavra de Deus estudada, digerindo as verdades eternas em seu metabolismo espiritual. 

Com certeza, esta metáfora da alimentação ainda tem várias outras aplicações, você poderá ampliá-la e enriquecê-la para seu relacionamento com Deus através da Bíblia. Fica minha sugestão: aproveite seu dia pensando na metáfora, mas depois coma a porção diária de alimento bíblico que Deus reservou para você.