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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Impostores Expositivos

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Mark Dever corretamente descreve a Pregação Expositiva como “pregação que toma como o assunto do sermão o assunto de uma passagem particular da Escritura”. Entretanto, tenho ouvido muitos sermões que tentam ser expositivos, mas falham de alguma forma. Abaixo estão sete armadilhas que alguém pode  evitar. Cada uma dessas armadilhas ou não faz da mensagem da passagem a mensagem do sermão, ou, no final das contas, não a faz uma mensagem para a congregação.
1) O assunto da passagem é mal-entendido: o “Sermão sem Fundamento”. Este é o caso em que o pregador diz coisas que podem ou não serem verdadeiras, mas que, de nenhuma forma, vieram da passagem, quando ela é entendida corretamente. Isso pode acontecer tanto por falta de cuidado com o conteúdo do texto (por exemplo, “produção, motivação e inspiração”, tirado de 1 Tessalonicenses 1.3, versão NIV; embora nenhuma palavra tenha paralelo no grego), quanto por falta de cuidado com ocontexto (por exemplo, o sermão em Davi e Golias, que pergunta “quem é seu Golias, e quais são as cinco pedras que você precisa preparar para usar contra ele?”).
Se o pregador não está extraindo profundamente da Palavra de Deus para guiar a mensagem de seus sermões, eles estão possivelmente sendo dirigidos pelas próprias preferências do pregador. Pois, “quando alguém regularmente prega de uma forma que não é expositiva, os sermões tendem a ser somente sobre assuntos que interessam ao pregador” (Nove Marcas). Portanto, a congregação não recebe tudo o que Deus pretendia. A lição? Pregadores devem se entregar ao entendimento absoluto do texto antes de sentar para escrever seus sermões. Uma leitura casual não é o bastante. Os pregadores devem permitir que Deus determine a dieta do rebanho como prevenção contra uma alimentação insuficiente.
2) O assunto da passagem é ignorado: o “Sermão Trampolim”. Bastante parecido é o sermão em que o pregador entendeu o centro do texto, concorda superficialmente com ele , e então fica intrigado com algo que é um ponto secundário ou terciário, fixando sua atenção nisso pelo resto do sermão. O que ele diz vem do texto, mas não é o assunto principal do texto (por exemplo, o sermão em João 3 que enfoca primeiramente a permissão de cristãos beberem álcool).
3) O assunto da passagem não é aplicado: o “Sermão Exegético”. Algumas pregações que se dizem expositivas são rejeitadas como chatas e irrelevantes… e com justiça! O ouvinte poderia muito bem ler um comentário exegético. Tudo que é dito é fiel à passagem, mas não é realmente um sermão; é meramente uma leitura técnica da passagem. Pode-se aprender muito sobre o uso paulino do Genitivo Absoluto, mas pouco sobre a pessoa de Deus ou a natureza do coração humano. Não há aplicação pra nada a não ser às mentes da congregação. A verdadeira pregação expositiva certamente deve informar primeiro a mente, mas também aquecer o coração e constranger a vontade.
4) O assunto da passagem é aplicado a uma congregação diferente: o “Sermão Irrelevante”. Muitas pregações promovem orgulho na congregação por jogarem pedras nos tetos de vidro de outras pessoas. Ou o ponto da passagem é aplicado apenas aos incrédulos, sugerindo que a Palavra não tem nada a dizer para a igreja, ou é aplicada aos problemas que raramente são vistos na congregação onde se prega. Assim, a congregação se torna orgulhosa, e como os fariseus na parábola de Jesus, acabam agradecidos por não serem como os outros. A resposta não é arrependimento e fé, mas “se a Sra. Brown ouvisse esse sermão!” ou “esse sermão realmente deveria ser pregado na Enésima Igreja Batista de Smorgsville, Pensilvânia!”.
5) O assunto da passagem é mal aplicado à congregação atual: o “Sermão Inadaptado”. Algumas vezes, a distância hermenêutica entre a passagem original e a congregação atual pode ser mal compreendida, de forma que a aplicação do contexto original é transferida de maneira errada ao contexto atual. Assim, se o pregador não tem uma teologia bíblica correta do culto, passagens sobre o Templo no Antigo Testamento podem ser aplicadas erroneamente sobre o prédio da igreja no Novo Testamento, ao invés de estarem cumpridas em Cristo e em seu povo.
6) O assunto da passagem é separado de seu impacto geral: o “Sermão Doutrinário”. Deus deliberadamente falou a nós “de muitas e diversas maneiras”. Muitos sermões ignoram o gênero de uma passagem, e pregam narrativa, poesia, epístola ou apocalíptica – todos como se fossem uma série de afirmações proposicionais. Embora toda pregação deva transmitir verdades proposicionais, elas não deveriam ser reduzidas a isto. O contexto literário das passagens deveriam significar que um sermão de Cântico dos Cânticos soa diferente de um a partir de Efésios 5. As passagens podem ter o mesmo ponto central, mas é transmitido de uma forma diferente. Esta diversidade não deve ser perdida na pregação.
7) O assunto da passagem é pregado sem referência à passagem: o “Sermão Atalho”. Outro sermão pode ter até uma aplicação apropriada à mente, coração e vontade, ainda que a congregação fique sem saber como isso foi apropriadamente aplicado a partir do texto. Oposto do sermão exegético, esse tipo de pregação não mostra nenhum “trabalho” exegético, afinal. Embora o Senhor tenha apresentado seus objetivos em sua Palavra, apenas o pregador está totalmente ciente desse fato. A congregação pode muito bem acabar dizendo “que sermão maravilhoso” ao invés de “que passagem maravilhosa da Escritura”.
Pregação expositiva é tão importante para a saúde da igreja porque permite que o conselho inteiro de Deus seja aplicado à igreja inteira de Deus. Que o Senhor equipe os pregadores de Sua Palavra de forma que Sua voz possa ser ouvida e obedecida.
Texto de Mike Gilbart-Smith, Traduzido por Josaías Jr, via: iPródigo

domingo, 8 de janeiro de 2012

Quando a exegese e a pregação trabalham juntos

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Todo pregador da Bíblia deve se aprofundar cada vez mais no estudo da Bíblia. Todo estudioso da Bíblia, deve aprimorar-se em proclamar eficazmente a mensagem divina.

Atualmente existe uma discrepância entre pregação e profundidade no estudo. Parece que cada vez mais os que são considerados bons comunicadores se distanciam da teologia bíblica saudável. Da mesma forma, os que possuem qualidade na profundidade das Escrituras carecem de uma boa comunicação para tornar suas mensagens atrativas e entendidas ao povo de Deus. Como podemos chegar num equilíbrio saudável entre profundidade e clareza na exposição?

O pregador ou expositor da Bíblia deve possuir uma biblioteca básica para seus estudos e preparo de suas mensagens. Naturalmente, isso leva tempo. É importante que o pregador se prepare, o melhor que puder, para adquirir comentários bíblicos, livros de introdução bíblica e outras modalidades para cada vez mais mergulhar dentro do texto bíblico e crescer no ministério da Palavra. 

Entre os livros de referência na biblioteca de um ministro de Deus é importante dar atenção aos comentários. Os comentários bíblicos não são a verdade. São opiniões e pontos de vistas sobre ela. Você deve ler os comentaristas como amigos que conversam após um jogo de futebol para comentar a partida. Tem coisas que você concorda, outras não. Na maioria das vezes, é melhor consultar um comentário depois que já tenha uma opinião mais ou menos formada sobre um texto ou livro bíblico. 

Os comentários que mais se destacam são as séries: Hermeneia, Anchor Bible e International Critical Commentay (ICC). Estas séries são muito caras e, sem dúvida, seriam um grande presente para um pastor-pregador. Atualmente, a maioria das grandes séries, como estas que citei, já existem em versões digitais e em cd-rom para serem usadas num laptop ou tablet. Em português, sugiro: comentário bíblico vida nova, comentário NVI, São Jerônimo, série cultura bíblica, ABU, Loyola e comentário bíblico latino-americano. Também temos alguns comentários de autores publicados em avulsos, não como uma série, por editoras que zelam pelo estudo da Palavra e valorizam o trabalho deste ou daquele intérprete. Ainda temos alguns comentários homiléticos, frutos de pregações expositivas de grandes intérpretes e pastores: Martin Lloyd Jones, Waren Wiersbe, Hernande Dias Lopes, João Calvino, John Stott.

Para ser um bom exegeta, ou seja, um bom estudioso e intérprete das Escrituras é importante ler livros, artigos e mensagens de bons exegetas. Você se torna bom aprendendo com quem é bom também.  

Um bom pregador deve também aprender com um bom pregador; deve ouvir bons pregadores e ler sermões de quem é admirado nesta área. Pessoalmente, acredito que devemos unir as duas coisas. Pois, a exegese está a serviço da pregação. Lendo bons exegetas e estudando bons sermões você vai aperfeiçoar seu olhar "clínico" na arte de expor a Bíblia com profundidade de conteúdo e clareza de comunicação. 


Lendo bons exegetas você aperfeiçoa seu "bisturi" de interpretação bíblica para descobrir as verdades eternas. Lendo e ouvindo bons sermões você aprimora suas afeições e práticas homiléticas para proclamar as bênçãos celestiais. 

Mesmo assim, ao escolher seus modelos, tenha cautela. Cautela com os exegetas. Nem todos os melhores exegetas são especialistas na Bíblia toda. É bom escolher entre um ou dois que tenham especialidades exegéticas diferentes. É bom conhecer um ou dois bons teológos de Antigo e outros de Novo Testamento. 

Quero sugerir alguns bons exegetas e teológos. Primeiro, do Antigo Testamento. Teológos: Gehrard Von Rad, Walter Brueggemann e Claus Westermann. Exegetas: William Holladay, John Bright e Erhard Gerstenberger. Mas poderíamos citar um exímio exegeta para cada livro da Bíblia. Segundo, do Novo Testamento. Teólogos: Joachim Jeremias, James Dunn e George Ladd. Exegetas: Gerd Theissen, Donald Carson e Ernst Käsemann. Vale a pena vez ou outra mergulhar no pensamento de um estudioso cristão da Bíblia e conhecer todas as suas obras e modo de pensar, como Russel Shedd, Eugene Peterson, William Barclay.

Igualmente, tenha cautela com os pregadores. Pois, nem todo pregador eloquente tem os melhores sermões escritos. Conhecemos pregadores aptos na comunicação, mas reprováveis na teologia e conteúdo. Também temos pregadores profundos e teologicamente saudáveis que nem sempre tornam claro a mensagem viva do Evangelho de Cristo. 

Alguns excelentes teólogos são enfadonhos em suas preleções. Alguns pregadores poderosamente eloquentes são superficiais em teologia, ilustrações e aplicações. Quisera Deus que todos sejamos eloquentes e veracíveis na exposição; profundos, mas sem perder a simplicidade; claros, mas sem entrar na onda dos comunicadores das modas "gospels". 

A verdade divina deve ser proclamada e ensinada com veracidade, sabedoria, paixão e autenticidade da parte do pregador. Portanto, esteja atento: nem sempre o melhor sermão vem do pregador mais eloquente ou que atraí as multidões. E, também, procure se identificar com um pregador do século 19, 20 e 21 para aperfeiçoar a arte de expor as Escrituras e entregar a mensagem divina. Perceba como estes pregadores estudam as Escrituras, dividem o tempo entre outras tarefas do ministério, desenvolvem teologia viva para o povo de Deus, etc.


Saiba escolher seus referenciais: do eloquente ao enfadonho, do superficial, ao profundo, do simplista ao detalhista, do sábio ao conhecedor, do fundamentalista ao liberal, do pastoralista ao acadêmico, do apaixonado ao perspicaz, do conciso ao prolixo. Faça como um bolo: pegue um ingrediente de cada e depois misture tudo e faça um bolo, isto é, encontre um equilibrio entre o bom e o ruim de cada referencial escolhido e seu próprio jeito de ser. Descubra seu próprio modo de ler e interpretar as Escrituras e, depois, expor a Palavra de Deus para a glória do Senhor. 

É muito importante você separar tempo para estudar a Bíblia e o trabalho destes autores, sem falar do tempo que você deve separar para produzir seus materiais. Se não me engano, John Stott dizia que temos de separar uma hora por dia para tal tarefa intelectual; uma manhã por semana de estudos sem interrupções; um dia todo por mês para um estudo meticuloso da Bíblia; uma semana inteira para estudos ao ano. Eu acrescentaria, um ano todo de estudos e oração na presença de Deus a cada sete anos ou quatorze anos, dependendo da sua possibilidade pessoal. 

Como pregador seja um disciplinado estudioso da Bíblia; como exegeta e estudioso, não dispense o aprendizado que vem da oração, da comunhão com os santos e do serviço abnegado em nome de Jesus. Mas em ambos, nunca deixe de aplicar as verdades eternas em sua própria vida e, ao se envolver com as pessoas e aplicar-se em seu ministério, em apresentar-lhes com fidelidade a Palavra de Deus.


terça-feira, 11 de maio de 2010

Por que prefiro a pregação expositiva?

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